17/05/2017

Resenha: Revival - Stephen King


Título: Revival
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 371
Onde comprar: Travessa
Sinopse: Uma história eletrizante de Stephen King sobre vício, fanatismo e o que existe do outro lado da vida. Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados. ''A ideia para este livro está na minha cabeça desde que eu era criança. Frankestein, de Mary Shelley, foi uma grande inspiração para mim. Eu queria criar uma história o mais humana possível, porque a melhor maneira de assustar o leitor é fazê-lo gostar dos personagens''. - Stephen King em entrevista para a revista Rolling Stone. 
''Quando penso em Charles Jacbos - meu quinto personagem, meu agente de mudança, minha Nêmesis -, não ousa acreditar que a presença dele em minha vida tenha qualquer ligação com o destino, pois isso significaria que todas aquelas circunstâncias terríveis - aqueles horrores - estavam fadadas a acontecer. Se for assim, a luz não existe, e nossa crença nela é mera ilusão. Se for assim, vivemos na escuridão, como animais em uma toca, como formigas nas profundezas de suas colônias. 
E não estávamos sós. ''


A primeira coisa que você precisa saber é: Revival é inspirado em diversas histórias clássicas do horror, tendo influências de Mary Shelley (Frankstein), Robert Bloch (Psicose) e H.P. Lovecraft (vários contos). E este último é a base do livro. Aviso: se você for impressionável, NÃO LEIA. Vi muita gente falando do que Revival é uma história sobre a fé, mas eu considero como a história da falta dela, ou ainda, a fé errada. Religiosos, mantenham-se longe. Pronto, tá avisado.

Revival começa num ritmo beeeem lento, apresentando os personagens centrais, numa explicação necessário porém longa de como se conheceram e como se tornaram o que se tornaram para que a trama pudesse dar no que deu. Não vou entrar em detalhes sobre o que acontece para não tirar a graça, já que até até as últimas 60 sessenta páginas, acontece bem pouco de assustador em termos comuns e tem pequenos fragmentos de história que vão te levar a antecipar parte do que acontece no final. Em resumo, Jamie e Jacobs se encontram, coisas ruins acontecem, separam-se, reencontram-se novamente e a partir daí começamos a entender onde King quer chegar. E o temos em seu território preferido - cidade pequena, personagens comuns com problemas extremamente humanos e o sobrenatural.

O livro me foi extremamente perturbador. Eu gosto de Lovecraft, mas sempre achei que era um pobre coitado muito cheio de problemas (uma vez que os demônios de seus contos vinham de seus próprios pesadelos). Não li muitos contos dele, mas conheço o suficiente para ter ficado impressionada com as descrições (bizarras) de seus demônios e respeitá-lo pela construção de seu próprio universo. King explora muitas coisas desse universo e nos dá uma narrativa pessimista, complexa, incômoda e impressionante. Pelo menos umas três vezes eu decidi que não terminaria de ler, porque estava ficando meio mal com a leitura. Eu tenho para mim, atualmente, que a leitura deve me deliciar, me impressionar de formas boas, entende? Revival não teve nada disso para mim. É uma história sem esperança, injusta e com um final muito forte. O próprio King disse, após a publicação do livro, que não queria mais pensar sobre ele pois era ''muito assustador''. Não há redenção aqui. Não há um herói. Há pessoas vivendo sua vida comum até que a vida - e suas inesperadas reviravoltas - os pega e os transforma. Em Salem's Lot, Carrie, Zona Morta, O Iluminado e tantos outros livros do King, há uma atmosfera clara de que não importa o quanto mal houver no mundo, ainda há o bem para combatê-lo. Não há isso aqui e essa é a parte que mais nos assusta. Não tem sustinhos aqui. Tem uma sensação constante de mal estar, um gelo na espinha.

Em homenagem à Frankenstein, temos a ''eletricidade secreta'', objeto de estudo de Jacobs e causadora dos males de suas ''cobaias''. Segundo ele, essa é uma força desconhecida, ainda não quantificada. Ele a usa para curar doentes terminais e crônicos, mesmo sabendo que ao mexer com as ondas cerebrais, a mente humana está sujeita a abrir-se para ''outros universos'' e, obviamente, isso causa consequências.
Ah, temos algumas referências sobre seus outros livros por aqui. Agora só me lembro de Salem's Lot e Joyland.
Sobre a edição: não vi nenhum erro de revisão, diagramação simples, folhas amareladas e uma capa maravilhosa!

Enfim... Revival é um livro que eu desejo não ter lido. É bem escrito, bem pensado, sim, mas é um tanto quando arrastado e muito perturbador. É o tipo de história que não serve para qualquer um. 

Repost - Originalmente publicada na época do lançamento

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